domingo, 2 de maio de 2010

Carta para Cristiano.


Maternidade faz bem

Amigo, é fato: ao se tornar pai, você vai perder sua mulher. Ela será vítima de uma paixão avassaladora por outra pessoa - que, no máximo, guardará aqui e ali alguma semelhança com você. Esse arrebatamento da sua mulher vai te vitimar profundamente. Você verá florescer ao seu lado um amor desmedido, como ela jamais poderá te oferecer. Um sentimento descomunal que sempre esteve lá, dentro dela, guardado para outra pessoa.
Você, que era único, perderá a exclusividade. Você, que tinha todas as regalias, perderá os privilégios. Você, que gozava de toda atenção do mundo, terá de reaprender a viver com tudo o que sobrar. Você, que ocupava todo o espaço, terá que se restringir a sua pequeneza diante daquela relação imensa, mágica, esplendorosa que irá acontecer ali do seu lado, entre sua mulher e outra pessoa. É fato amigo: você está frito.
Felizmente há compensações. Enormes, maravilhosas compensações. Tirando o fato de que você nunca mais será a pessoa mais importante na vida dela (considerando, claro, que você ocupasse esse posto até então), de resto, a paternidade só traz vantagens. A começar pelo fato de que essa outra pessoa não roubará apenas o coração da sua mulher - roubará o seu também. Mas a lista de delícias de ser pai fica pra outro dia. Hoje quero falar apenas de como você será beneficiado com o que vai acontecer com a sua mulher.
Quem disse que mulher embagulha quando engravida não entende nada de mulher. A maternidade é o verniz definitivo da sensualidade feminina. Os quadris ficam levemente mais largos e convidativos. Os seios ganham um portento extra. Aquele corpo, suas reentrâncias, sua temperatura, cada detalhe vai ganhar em graça, em respeitabilidade, em atração - um milagre está acontecendo ali.
Ela ficará mais feminina. A natureza conspirará a favor dela já na gestação. Sua pele ficará mais bonita, seus olhos ficaram mais luminosos. Seu corpo estará mais imune a tudo (inclusive às suas investidas, durante um bom tempo). Seu olhar será mais doce. Olhar de mãe, mãos de mãe.
Ela ficará mais terna. Vai cuidar melhor do ninho. E enquanto aquela outra pessoa não chegar, vai cuidar melhor de você também. (Não por mérito seu. Mas porque você está dentro do ninho que ela está montando. Não questione. Aproveite).
Não apenas ela ficará mais carinhosa com você, como muitas vezes você também se pegará olhando pra ela com uma ternura inédita. Com uma afeição quente, que chega a doer de tão intensa. Aquela mulher carrega o seu filho ou sua filha - ou os dois ao mesmo tempo - na barriga. Aquele umbigo, não mais o seu, será o centro do mundo pra você. Você o defenderá como um leão. E o amará acima de todas as coisas. Acima até mesmo do amor que você tem por si mesmo, pelo seu time, por sua coleção de CD's e pela primeira trilogia de "Star Wars".
Ela ficará mais emotiva. Vai chorar fácil. Vai enjoar de coisas que amava. (A começar por você.) Vai precisar mais da sua paciência, da sua compreenção. Vai expor sua fragilidade - e você terá de crescer, ficar maior do que si mesmo, para tomar conta dela. Terá de acarinhá-la, recebe-la, incentivá-la. Cuidar dela se tornará um doce martírio. E um bom treino. Vá se acostumando. Quando aquela outra pessoa chegar, padecer no paraíso dos pais amorosos e aplicados será a sua rotina pelo resto dos seus dias. E quer saber? Não há nada melhor.

Texto de Adriano Silva, retirado da revista Marie Claire de Julho de 2007.

Ao mais novo trio familiar, Cristiano, Aline e Milena.

2 comentários:

Livia disse...

É um tesouro que resplandece, que ilumina, e traz paz, é doce e pura de ternura... é bela como uma pérola, é um anjo e com toda ceteza enviado por Deus.
Ela é Milena!
Seja bem vida precisosa!
Amamos vc!

kerollyn disse...

Sutilmente representa o que foi e o que ainda será nessa nova etapa. Milenaa, seja mais que bem vinda, princesinha.